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Conheça a trajetória do ator Gui Agustini

Desde criança, Gui Agustini sempre foi um morador do mundo. Brasileiro, nascido e criado em Campinas, é filho de mãe argentina e pai peruano. Dedicou sua infância e adolescência ao tênis, que o levou a diversos países do mundo com destino marcado a morar na Venezuela, onde encontrou seu dom para atuação. Hoje, com séries de grande sucesso em todo o continente americano no currículo, criação de mais de 10 curtas-metragens premiados, diversas campanhas publicitárias, novelas, peças de teatro – sendo todos seus trabalhos fora do Brasil – Gui volta ao país para a estreia de seu primeiro longa-metragem nacional, “Solteira Quase Surtando”, com direção de Caco Souza.

Com um currículo extenso tanto no cinema, teatro e novelas, conte-nos um pouco sobre seu início como ator?

A atuação entrou na minha vida em 2009 nos últimos 4 meses da minha estadia em Caracas na Venezuela. Eu morei lá quase 2 anos treinando tênis com o treinador que mudou a minha vida e foi fundamental na bolsa que eu consegui nos EUA. Eu primeiro comecei a fazer umas propagandas de fotos e trabalhos como modelo e depois do meu primeiro teste, para uma campanha de propaganda de TV, que foi para o fast food SUBWAY, ser um desastre, eu pedi a minha agência para me indicar uma aula de atuação. Eles me recomendaram uma das melhores professoras da Venezuela, Matilda Corral, que só aceitava atores profissionais ou extremamente sérios. Eu só queria aprender um pouco para ter mais chances de ser contratado para esses comerciais. Enfim, deixou eu observar uma aula. Eu fiquei de boca aberta com a interpretação dos atores e a emoção que eles criaram. Implorei pra ela me aceitar por 3 meses e ela disse sim. Aí começou minha paixão pela atuação. Li minha primeira peça de Shakespeare em espanhol e comecei a fazer meus primeiros exercícios . Foi incrível. Logo eu entrei em uma outra escola e fiz as duas antes de ir pros EUA. Chegando na Carolina do Sul, eu decidi que queria fazer teatro. Graças ao Universo, eles tinham um programa de teatro. Eu adicionei teatro como parte do meu Business Degree e segui meus estudos. E foi na Lander University onde fiz minhas primeiras peças de teatro. A minha primeira sendo o personagem principal, Hal, da peça PICNIC de William Inges. Depois de um ano, decidi me mudar para Miami, larguei o tênis e me foquei em estudar atuação. Tanto em inglês como espanhol. Depois de um ano la, consegui uma permissão para trabalhar, minha primeira agência e fiz minhas primeiras pontas nas novelas da Telemundo. Logo meus primeiros comerciais. E aí começou minha carreira profissional.

Perto do lançamento de seu primeiro longa-metragem nacional, como estão suas expectativas para “Solteira Quase Surtando”?

Primeiro de tudo, estou muito contente, honrado e agradecido. É um sonho que não tinha nem sonhado. Tenho a esperança de que este filme me ajude a ter um vínculo futuro com trabalhos no Brasil mas eu tento evitar ter muitas expectativas já que elas estão foras do meu controle. Eu tenho um grande desejo que o filme seja muito mas muito bem recebido e que ótimas portas se abram pra mim aqui no Brasil. O desejo é enorme, a expectativa nem tanto.

Antes mesmo de entrar para as artes cênicas, você foi jogador de tênis. Como anda a sua ligação com os esportes, dividindo seu tempo entre a atuação e a atividade?

A atividade física é primordial na minha vida. Ja faz alguns anos que minha atividade física principal é na musculação. Porém continuo vinculado ao tênis dando aulas em um clube de Nova York nos fim de semana e jogando com meu pai e amigos sempre que venho ao Brasil.

Os seus curtas foram muito bem recebidos pelas premiações, qual você considera ter sido o mais marcante?

Sem dúvida o meu curta principal que também dirigi e produzi chamado “Roses are Blind” que é baseado em uma história verídica. É também o curta que mais recursos tive e pela primeira vez não tive que investir capital próprio. Estou desenvolvendo ele em meu primeiro longa metragem.

Você estava preparado para ir estudar nos Estados Unidos, porém acabou indo parar na arte. Ainda existem planos para retornar com os estudos?

Na verdade eu fui para os EUA e comecei meus estudos de business e teatro ao mesmo tempo. Depois de 1 ano quando me mudei a Miami terminei meu Associates Degree e me foquei nos estudos particulares de atuação. Desde então só me dediquei e estudei as artes. Me mudei a Nova York onde estudei em um Conservatório de atuação intensivo por 2 anos. Meus estudos da arte e cinema é constante e nunca vai cessar. Porém, retornar a uma Universidade para estudar Business ou uma nova carreira ou fazer um mestrado nas artes não está nos meus planos ou desejo.

Como foi contracenar com Mina Nercesslan no filme?

Foi uma experiência incrível. Mina foi muito gente boa desde o primeiro dia. A gente nunca tinha se conhecido e nossas primeiras cenas foi a montagem de diversos beijos. Haha. Imagina? Ela foi muito bacana em me fazer sentir relaxado, presente e seguro o que são fundamentais para uma boa atuação. Ela foi uma líder muito exemplar, energia dela é contagiante e as performances são extraordinárias. Foi realmente muito divertido e incrível.

Em um depoimento, você afirmou que o foco nas quadras de tênis foi fundamental para seu desempenho nas artes. Poderia explicar melhor essa ligação?

Como um jogador de tênis que decidiu se dedicar um pouco tarde ao esporte e que queria jogar no circuito profissional, eu me dei conta rapidamente que treinar e viver o tênis obsessivamente, o tempo todo, dia e noite, era fundamental pra se ter pelo menos uma chance como tenista profissional. O que significa muitos sacrifícios e uma dedicação fora do comum que eu decidi fazer e seguir. Quando eu me apaixonei pelas artes e decidi que isso era o que eu queria fazer pro resto da minha vida, eu apliquei a mesma tática. Sacrifícios, dedicação e foco. Foi uma crença que desenvolvi como necessária para se destacar em qualquer profissão. Então como já estava acostumado a isso, somente mudei de profissão mas os princípios de trabalho continuaram o mesmo.

Logo na sua primeira peça de teatro, a produção recebeu uma indicação ao Irene Ryan´s Award. O que se lembra dessa época?

Lembro da sensação de euforia, nervosismo e muitas emoções. Explico. Quando entrei no curso de teatro no meu primeiro ano de faculdade nos EUA, eu não falava tão bem o inglês, não tinha ideia de como atuar em uma peça e não sabia nem o que era um casting. Eu fui para o casting da peça Picnic sem saber que era um teste. Eu achei que era requerimento do curso. Eu comecei a ler os textos em frio para a diretora do programa sem entender o que estava lendo na grande maioria das vezes e provavelmente pronunciando a maioria das falas incorretamente porque o texto foi escrito há mais de 50 anos atrás. Mas quando eu vi o palco principal que a Universidade tinha, eu fiquei de boca aberta de tão grande e maravilhoso que era e na minha mente eu disse: eu quero e vou atuar nesse palco um dia. O dia chego muito mais rápido do que eu esperava quando a diretora Monique Sacay-Bagwell me selecionou como o personagem principal, Hal. Eu fiquei tão feliz, honrado e grato pela oportunidade. E eu acho que fui selecionado não porque meus testes foram bons ou meu talento, ao contrário, não tinha ideia do que estava fazendo mas acho que ela viu algo em mim, o meu perfil físico era o mais adequado ao personagem e porque ela queria dar uma chance para um estrangeiro. Eu tinha tantas falas pra memorizar em 8 semanas que eu me dediquei tanto pra aprender tudo o mais rapido possível. Quando a peça abriu, foi muito gratificante, mas também apavorante, ver o teatro de mais de 400 lugares completamente lotado. E a resposta do público e os elogios que recebi me validaram na época que havia feito a escolha certa. E logo receber a nominação pro Irene Ryan’s Award foi algo que jamais esperava e muito importante pra mim.

Na televisão, você teve contato com um outro público na série “Grachi 2” e em “11-11” da Nicklodeon. Como foi lidar com a galera teen?

Eu na época não era tão ligado as redes sociais então minha interação foi pequena. Mas foi muito legal e gratificante também. Principalmente com os atores teens que faziam parte do elenco. O público sul-americano principalmente era louco pela série e eu tive meus momentos de assédio online.


No meio publicitário, tivemos o seu comercial da Dish Networks, que passou durante o Super Bowl e te colocou ao lado de Norman Reedus de “The Walking Dead”. Conte-nos um pouco sobre essa experiência.

Eu fiz o teste em umas das agências de casting de comerciais mais importantes de Nova York e foi muito divertido e bacana essa primeira fase. Quando meus agentes me disseram que me selecionaram fiquei muito contente mas não sabia que Norman Reedus era o ator principal até o dia da filmagem. Eles mantiveram sigilo. Quando eu descobri foi uma emoção legal mas como eu não acompanhava a série ou conhecia muito o trabalho dele, não fiquei muito nervoso. O normal de saber que estaria interagindo com uma celebridade. Ele foi muito simpático quando o conheci no set e a experiência foi incrível. E eu tenho uma anedota que gosto muito de contar. O personagem que o Norman estava fazendo era o Daryl, o mesmo do ‘The Walking Dead’ então ele carregava uma arma pra matar zombies. Eu tinha percebido isso enquanto eu observava a cena que ele estava gravando anterior a minha. Quando foi a vez de eu entrar em cena, ele estava voltando de um break e ele não pegou a arma. Eu percebi isso imediatamente com a minha experiência como cineasta mas como nem o diretor nem ninguém da equipe toda falava nada eu pensei que eles estavam fazendo isso a propósito. Porém meu instinto e conhecimento me dizia que ele deveria carregar a arma. O diretor estava a ponto de gritar AÇÃO, eu não aguentei, olhei pra ele, meio que levantei a mão e ele me perguntou se eu precisava de alguma coisa. Eu disse: olha, desculpa me entrometer, mas eu acho que o Norman estava carregando a arma. Aí o próprio Norman disse: nossa, é verdade acho que tava sim. O diretor perguntou pra sua assistente de continuidade que também não lembrava, eles revisaram as cenas anteriores e a arma estava com ele. E foi assim que eu virei o salvador da pátria e de muitos milhares de dólares.

Como diretor, seu curta mais premiado foi “Roses Are Blind”, faturando em 11 festivais americanos. O que te inspirou para fazer essa produção?

A história é baseada na história real da artista Wendy J White. Eu sou fascinado por histórias verídicas e quando ela compartilhou comigo os roteiros que ela tinha escrito eu não conseguia acreditar nos eventos que estava lendo de tão fortes, tristes mas fascinantes. Imediatamente eu me apeguei a história é aceitei a oferta dela de interpretar o personagem do Dr Mayer e dirigir. Porém disse que melhor seria criar um curta primeiro para entrar em festivais e ter um conceito gravado para mostrar para investidores enquanto desenvolvíamos o roteiro do longa, que agora estamos no meio do processo.

Deixe uma mensagem.

Primeiro, a mensagem que quero deixar é de gratidão por esta experiência incrível que estou vivendo que só seria possível pelo esforço e apoio dos meus pais, de muitos mentores dos últimos 10 anos e de todos os que acreditaram no meu trabalho e em mim começando pela produtora do filme Meire Fernandes, seguido da criadora e protagonista Mina Nercessian e logo do diretor Caco Souza. Por último, que as pessoas continuem escolhendo aquilo que amam e se empenhem ao máximo com muita dedicação e obsessão para terem uma oportunidade de alcançar seus sonhos e desejos. Os resultados e destino nós não controlamos e nada é garantido nesta vida, então o melhor é focar no que controlamos e buscar a felicidade e satisfação fazendo aquilo que amamos.

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